A cultura aborígene tradicional, com caçadores usando bumerangues, danças rituais, grandes fogueiras em noites repletas de estrelas – isso é que muitos turistas esperam encontrar na Austrália. A realidade, porém, é bem diferente. A população indígena urbana é muito pequena, é difícil deparar-se com um nativo australiano nas ruas de Melbourne, Sydney ou Adelaide. O único toque de cultura aborígene que se observa atualmente são artefatos como bumerangues, pinturas e instrumentos musicais como o didjeridoo em lojas de souvenir. A razão é simples: conflitos pela posse do território e disseminação de doenças desconhecidas como a gripe comum.O didjeridoo é um instrumento de sopro com mais de 1500 anos e consiste de um tubo com 1 a 3m de comprimento, feito em geral com tronco de eucalipto naturalmente oco por cupins. Seu timbre é bem grave, e confere um som de fundo bem exótico (aquele 'boing-boing', um verdadeiro mantra instrumental) para danças, rituais e cerimônias religiosas.
As pinturas aborígenes refletem suas tradições e crenças a respeito da criação, do amor, caça, casamento, vida e morte; enfim, fatos cotidianos contados oralmente e acompanhados - é claro - por um didjeridoo bem tocado. São típicas as cores fortes sobre bases ocres, usando uma infinidade de pontinhos que recriam formas oníricas envolvendo objetos, pessoas ou animais. Tudo feito com material muito comum por lá: terra, sementes e pedras.