
Na época da colonização branca na África do Sul, grupos Xhosa viviam no interior da região do Cabo. Desde os anos 1770, vários confrontos foram travados por disputas de terras com os Trekboer, colonizadores holandeses fazendeiros, assim como os Xhosa. As constantes disputas e guerras terminaram por enfraquecer a presença holandesa no Cabo, culminando com a chegada dos ingleses à região logo depois. Um século mais tarde, com a fundação de um estado unindo repúblicas independentes Boer e colônias britânicas, as nações negras como os Xhosa passaram a viver confinadas em 13% do território sul-africano, reservando-se os outros 87% para os brancos, situação que perdurou até 1994. O regime de confinamento conhecido como Apartheid criou autênticas cidades negras, onde imperou a miséria e a exclusão social, mas também onde as tradições orais puderam ser preservadas com raro sucesso. No caso dos Xhosa, sua língua é um exemplo fantástico dos limites da fonética humana. Imortalizados na música em vozes como de Miriam Makeba, os celebrados
clicky sounds da língua Xhosa são estalos (a começar pelo próprio nome!) gerados no céu da boca, que soam com diferentes nuances a depender da letra pronunciada. Como uma das mais populares das nove línguas negras oficiais da África do Sul, o Xhosa tem hoje veiculação muito comum nos meios de comunicação, e dá gosto ouvir (mesmo sem entender nada) um apresentador de telejornal ou uma propaganda nesse idioma. Tem-se a impressão de haver alguém escondido martelando um taco de madeira! Ouça uma demonstração
aqui.